Celebrou-se, no dia 5 de maio, o dia da Mãe. Esta data foi assinalada na nossa paróquia com a singela oferta de uma flor e de uma Medalha Milagrosa preparada pelo Grupo do Imaculado Coração de Maria. Não há palavras para agradecer o papel das mães nas nossas vidas. Bússulas para o nosso caminho, pilares para os nossos afetos, sempre alertas para as nossas quedas e prontas a ajudar-nos a reerguermo-nos. Carinhosas, exigentes, presentes, talvez não haja adjetivos que descrevam todas as mães, mas uma reflecte toda a gratidão: Obrigada, mães, pelo vosso amor e pela vossa dedicação!
Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traze tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar..
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei,
tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.
Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
[José de Almada Negreiros in a invenção do dia claro]
Sónia Sebastião